quinta-feira, 29 de abril de 2010

é que as vezes eu não sei

era fim de tarde (ou começo de noite?) de um maio aguado; era frio. e - era o sorriso sincero estampado em sua cara se evanescendo lentamente, ao me ouvir dizer: "é que as vezes, eu não sei".

segunda-feira, 26 de abril de 2010

fragmento

"-claro, querida, claro. mas este provavelmente vai ser o seu último amor adolescente;...."

domingo, 25 de abril de 2010

denovo, e sempre

acho que pouca coisa no mundo me é de fato tão cara quanto o sol com gosto de fimdetarde que espalhou-se por cima de mim derrepente; - "como é bom não fazer nada, não?" - e era tão tarde e tão laranja e quente e amorfo (mas de um jeito bom), que quando menos percebi aconcheguei-me num abraço (aquele) e contentei-me em observar os desenhos das nuvens por horas e horas, e horas ainda; "sabe baby, hoje a gente pode se dar o luxo de não ser objetivo", é.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

carta não enviada, a um amigo distante

vou ver a exposiçao do andy warhol hoje, e almoçar num restaurante tailandês, tão bonitinho, numa esquina escondida e com flores flutuando na entrada!
passei na santa cecília ontem, tava dia frio de céu azul; comprei luvas de couro vermelhas que combinam com meu vestido, e uma meia de renda, e as minhas botinhas de couro acabaram de voltar do sapateiro,- e juntando tudo isso me sinto no direito de sentir-me como uma musa dos anos 20. sendo claro - não vou sair assim, seria ridículo, mas é reconfortante sentir-se personagemficada vez-ou-outra, e ficar divagando no como seria se eu fosse francesa ou inglesa ou dinamarquesa ou boliviana?, e se eu tivesse nascido 20, 30, 40 anos antes, o que seria de mim, o que seria de minhs conviccões, o que seria das minhas idéias, da minha arte, será que eu gostaria de sucos cítricos ou daqueles mais grossos, será que eu apreciaria as folhas que vejo da minha janela?
hoje e fui arurmar minha bolsa e era tudo verde; minha carteira, caixinha de cigarros, isqueiro...logo eu que nunca fui tão fã de verde, sabe, eu nunca escolho as coisas por que elas são verdes, e do nada estou cercada de verde, esse caderno é verde, minha borracha também; meu colar, minha lamparina, o escrito do meu troço de botar uisque, o meu esmalte,- e eu já amei olhos que são (eram? não sei) quase-verdes, ah, eu gostava tanto disso, dessa impreviibilidade!, era o quase, não era explícito: só eu via o verde contido alí. é.
agora já não vejo mais; e amo olhos profundamente pretos. e minha roupa de personagem é inteirinha composta de vermelho e preto, eu sou inteira vermelha e preta; meus cabelos, meu batom, até minhas meias por baixo das de renda são de um vinho escuro, mas isso é por fora: por dentro, sou toda verde. e não sei se isso significa alguma coisa mais metafísica do que um simples acaso, mas o certo é que hoje eu vou, sim, sair vestida de personagem de filme, pois estou inquieta, verde, vermelha, preta, e o mundo está constante e amarelo demais para mim.
beijo para você, e fique bem.

é que eu não aguento mais ser eu mesma

é como se fosse um cinza grande que me surge no peito e se espalha até a ponta dos meus dedos, dizendo: nao pense nisso, nao ache isso, nao fale isso, deixe de ser tonta - agora está tudo certo. é. mas por que a cada dia tudo parece mais difuso e insólido?
essa circularidade imprecisa me acaba por engolir
e vou seguindo aos pouquinhos

para não dizer que não falei de nada

é- com nada eu quero dizer todo esse tempo que passou desde que eu entreguei-me sem amarras a um futuro todo-novo que se abria a minha frente sem me dizer que no fundo no fundo de novo ele não tinha nada; era apenas a mera repeticao de um saber que de bonito só tinha ser feito de passado. - e o sorriso de ontem sempre nos parece mais puro do que o de hoje.