quarta-feira, 18 de agosto de 2010

NÃONÃONÃONÃONÃONÃONÃÃÃÃÃO

me sinto bem me sinto viva me sinto como se estivesse tudo nos seus rumos duradouros e nescessários; me sinto querida segura amada desejada desejosa de aqui ser estar e continuar estando - me sinto compreendida e cativa.

sábado, 7 de agosto de 2010

antídoto

ela, de fato, não tinha nem quinze anos quando o conheceu - numa tarde quase fria em uma pracinha a qual não pertencia. viu-o de relance, e se encantou; talvez justamente pela imperícia de sua pouca idade. (ele nem a notou)
alguns anos depois, estava completamente embriagada pela inconstância daquele já-agora homem. por suas mãos macias - por seu toque múltiplo - por seu andar elástico. mas, principalmente, por julgar-se antídoto. ; é que havia nos olhos daquele segredo uma tristeza inerente - certa desilusão própria dos que não se encaixam - cujos motivos ela almejava saber. e, pouo a pouco, a melancolia hermética do encanto foi esgarçando-se, ficando fina e volátil: um dia, ele chorou de amor e contou-lhe segredos difíceis e além de sua compreensão -ela tee medo - mas era tarde.
o homem-segredo rompeu-se de vez, e (como uma represa liberta) soltou num rompante todo o negrume de seus olhos. a quase-mulher segurou-se firme, engoliu o soluço e calcou seu mais calmo sorriso: "-tudo bem, meu amor, vai dar tudo certo". e passaram dias e a torrente não passava, passaram meses e a torrente não cedia, e ela repetia sem forças "tudo bem, meu amor, vai dar tudo certo" - sem saber que o brilho fresco e encantado dos olhos da menina de nem quinze anos tinham dado lugar aquele vazio melancólico pelo qual ela tanto se intrigara - hoje, a resposta era ela.

se alguém perguntar por mim.... (if only)

- eu não sei, disse ela, com urgência
( e dentre todos os ditos não ditos, aquele foi o que mais doeu); é por que a gente se entrega bonito ao gostar-se-de-alguém, a conveniência de ter em outro corpo a extensão do seu, e quando se vê o estar junto deixa de ser mera delícia e passa a ser vício, e logo 'teus dedos não contentam-se com os dedos finos e compridos das mãos de moça (porém firmes) que lhe são tão familiares e teu corpo já não sente o calor que é do outro corpo ( por que já não há?) e os abraços se tornam vazios e os beijos se tornam mecânicos e aí? é o fim?

logo fui

logo eu logo nós logo abandonamos nosso logo-tipos, codinomes logo ditos e dados e damo-nos e desdamo-nos as mãos as vezes sem nem perceber - que pena.

Extra-curricular

"Os Nadifundios de Barros invadiram-nos a praça central! Extra, extra! Tomados todos de tédio mortal e ódio viceral e o olhar boçal dos para quem nada importa... Extra! Extra!"

mas veja bem

"e o que é que você vê", indaga-me numa manhã de sol - segunda-feira pura - ", quando em minha raiva eu lhe assusto?"
e na hora era tanto sol e tanta gente e tanta segunda-feira nos meus olhos que por um instante não atinei neste medo do qual ouvia falar com tanto arrependimento e dúvida -"qu'éisso, meu amor, do que é que fala você?"; - mas seus olhos suaves não me conseguiram esconder as mãos crispadas, de modo que cortinei todo o sol e brilho para me tentar lembrar.
- não sei bem, meu querido, mas veja bem: há aquela raiva comum, que infla mas não nega, grita disparates e logo passa. - mas - há esta outra, a que me assusta: é por que some a ternura que por mim há em você, e de uma criança inofensiva deitada em meus braços surge uma figura não de todo má, mas ameaçadora e sem controle, capaz de dominar com os olhos, meu bem, você fica tão grande e tão longe que acho que não me enxerga mais - é. - acho que é mesmo um medo de lhe sumir da lembrança....

sexta-feira, 16 de julho de 2010

fundo de gaveta

-"não é tristeza não, meu amor, é só melancolia... como o que acomete quando ouvimos uma música bonita e triste; - sentir mais as coisas contra si.... é, é isso...."