"e o que é que você vê", indaga-me numa manhã de sol - segunda-feira pura - ", quando em minha raiva eu lhe assusto?"
e na hora era tanto sol e tanta gente e tanta segunda-feira nos meus olhos que por um instante não atinei neste medo do qual ouvia falar com tanto arrependimento e dúvida -"qu'éisso, meu amor, do que é que fala você?"; - mas seus olhos suaves não me conseguiram esconder as mãos crispadas, de modo que cortinei todo o sol e brilho para me tentar lembrar.
- não sei bem, meu querido, mas veja bem: há aquela raiva comum, que infla mas não nega, grita disparates e logo passa. - mas - há esta outra, a que me assusta: é por que some a ternura que por mim há em você, e de uma criança inofensiva deitada em meus braços surge uma figura não de todo má, mas ameaçadora e sem controle, capaz de dominar com os olhos, meu bem, você fica tão grande e tão longe que acho que não me enxerga mais - é. - acho que é mesmo um medo de lhe sumir da lembrança....
sábado, 7 de agosto de 2010
mas veja bem
Postado por litchi às 05:47
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