quarta-feira, 4 de março de 2009

interminado

Era meio-dia.
“Meio dia e quinze”, repetiria-lhe incessantemente Paulo. Mas, para ela, era meio-dia. Dava para sentir no sol baixinho, de raios bem firmes, e no calor escorregadio que lhe fugia entre os dedos.
“Era tão meio-dia”, retrucava sempre, “que a luz tinha gosto de arroz com feijão”.
Ela era Maria. Estava se fazendo de lagartixa, ou de gata, deixando que o tão dito sol de meio dia lhe lambesse as pernas. Fingia estar distraída, mas se admirava em mente; se julgava parte de uma cena bonita, como de um filme. Tinha a pele morena-desbotada e um ar sapeca, como a menina-moça que era, transformando sua deselegância inata em parte do encanto.
Era uma pracinha bonita, de nome Bezerra Aldeão.
Pedro chegou de supetão, e perguntou-lhe: sabe me dizer aonde fica a Rua Marechal Teodoro?
Por ter sido pega no meio de seu ritual voyeurístico e pessoal, Maria se julgou violentada. “Não sei de nada. Não sou daqui”, resmungou baixinho. E Pedro, encantado com a arisqueza daquela morena, se deixou ficar.
Dois anos dalí, casaram-se.

1 comentários:

Marina disse...

as vezes sinto a necessidade de alguém que me pergunte algo, do que alguém que me corrija... é mas fácil de se apaixonar assim, entende?