
era tarde macia e sonolenta, transmutada em eternidade pelo brilho cego do meu lembrar. eu andava arrastando os chinelos feito quem não quer nada, e despetalava flores a meu bel-prazer. já nem fazia malmequer, pois sabia a resposta: estávamos em outubro, e eu vagava sozinha.
não que estivesse triste; era algo mais sublime que isso. o que acontecia é que eu nunca havia visto um dia mais propício à melancolia, e a ela entreguei-me de braços abertos - como uma andorinha pega em pleno vôo. havia algo no modo abafado de meus pés repercutirem no asfanto incandescente que dizia baixinho: vem, escute-me, que logo alguma coisa vai acontecer; mas, enquanto não acontecia, eu me limitava a sorrir calada, e a mirar o fim da rua como um objetivo indestrutível, de tão peculiar.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
descoberta
Postado por litchi às 14:23
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