segunda-feira, 21 de setembro de 2009

melodramas

costumava chamar-me de melodramática.
"melo-dra-má-tica", cuspia, com a boca tensa da madrugada, criando vácuos cada vez mais extensos no meu bem querer-lhe.
as vezes também só dizia no substantivo: melodrama. palavra esquisita - parece melodia; e melodia parece a melancolia de acordar num domingo chuvoso e descobrir que você foi embora, antes mesmo de tomar um gole de café preto amanhecido.

domingo, 13 de setembro de 2009

estação da luz

então, o meu amor lhe comove...
bom.

[acabamos por afastar aquela explosão epifânica que nos(nós) prevíamos, e enfrentamos sem medo os domingos azuis no centro da cidade, munidos de sorvete, cigarros, água de coco e consonoridades que pareceriam ensaiadas, se não fossem tão impulsivas. - tornamo-nos, sem querer, uma contradição complementar]

(é esse teu olhar-me que tanto me instiga)
(é essa passionalidade que me domina)
(é essa inexplicação toda, que acaba por criar uma [i]lógica muito coesa dentro da minha cabeça - inexprimível, mas compreensível)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

incoerência

não quero dizer
não vou dizer
só vou ficar aqui quietinha, no relembrar-me(nos) - (é incrível como me sinto vulnerável)
it' all about you, it's all about you
- é. não sei, só sei que foi assim. denovo; mas único.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

motivos

"e se eu sorrio ao dormir, é por que há a me observar alguém a quem eu quero bem"

(havia na luz amarela da madrugada suburbana algo que ultrapassava a banalidade de uma terça feira regada a cervejas; ela sabia.)

sábado, 30 de maio de 2009

é foda.

dos tiques
e do taque - do tique taque contante.
(argh)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

dia de sol

e era dia-de-sol, com nós-dois juntos deitados de uma vez só, com muito samba e queijo quente. era sexta-feira; meio dia e pouco, pouco amor para dar - era a época do dois-em-um, época de eu ser de você, com você e para você, sem ser você para mim; e eu era infeliz. era seu silêncio e o meu olhar, que nunca se cruzavam a não ser para serem negativamente, dizendo intuitivamente o que nós não nos deixávamos pensar. e havia um brilho-nos-meus-olhos que ardiam, querendo solidificar como grafite, como cal. eu deixei.
e então já era quase fim de tarde, e eu já não era mais nada.

sábado, 9 de maio de 2009

ampulheta

- foi o modo como ela lambe os dedos após comer suco em pó - disse ele, após uma longa pausa.