me sinto bem me sinto viva me sinto como se estivesse tudo nos seus rumos duradouros e nescessários; me sinto querida segura amada desejada desejosa de aqui ser estar e continuar estando - me sinto compreendida e cativa.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
sábado, 7 de agosto de 2010
antídoto
ela, de fato, não tinha nem quinze anos quando o conheceu - numa tarde quase fria em uma pracinha a qual não pertencia. viu-o de relance, e se encantou; talvez justamente pela imperícia de sua pouca idade. (ele nem a notou)
alguns anos depois, estava completamente embriagada pela inconstância daquele já-agora homem. por suas mãos macias - por seu toque múltiplo - por seu andar elástico. mas, principalmente, por julgar-se antídoto. ; é que havia nos olhos daquele segredo uma tristeza inerente - certa desilusão própria dos que não se encaixam - cujos motivos ela almejava saber. e, pouo a pouco, a melancolia hermética do encanto foi esgarçando-se, ficando fina e volátil: um dia, ele chorou de amor e contou-lhe segredos difíceis e além de sua compreensão -ela tee medo - mas era tarde.
o homem-segredo rompeu-se de vez, e (como uma represa liberta) soltou num rompante todo o negrume de seus olhos. a quase-mulher segurou-se firme, engoliu o soluço e calcou seu mais calmo sorriso: "-tudo bem, meu amor, vai dar tudo certo". e passaram dias e a torrente não passava, passaram meses e a torrente não cedia, e ela repetia sem forças "tudo bem, meu amor, vai dar tudo certo" - sem saber que o brilho fresco e encantado dos olhos da menina de nem quinze anos tinham dado lugar aquele vazio melancólico pelo qual ela tanto se intrigara - hoje, a resposta era ela.
Postado por litchi às 05:59 0 comentários
se alguém perguntar por mim.... (if only)
- eu não sei, disse ela, com urgência
( e dentre todos os ditos não ditos, aquele foi o que mais doeu); é por que a gente se entrega bonito ao gostar-se-de-alguém, a conveniência de ter em outro corpo a extensão do seu, e quando se vê o estar junto deixa de ser mera delícia e passa a ser vício, e logo 'teus dedos não contentam-se com os dedos finos e compridos das mãos de moça (porém firmes) que lhe são tão familiares e teu corpo já não sente o calor que é do outro corpo ( por que já não há?) e os abraços se tornam vazios e os beijos se tornam mecânicos e aí? é o fim?
Postado por litchi às 05:56 0 comentários
logo fui
logo eu logo nós logo abandonamos nosso logo-tipos, codinomes logo ditos e dados e damo-nos e desdamo-nos as mãos as vezes sem nem perceber - que pena.
Postado por litchi às 05:54 1 comentários
Extra-curricular
"Os Nadifundios de Barros invadiram-nos a praça central! Extra, extra! Tomados todos de tédio mortal e ódio viceral e o olhar boçal dos para quem nada importa... Extra! Extra!"
Postado por litchi às 05:52 0 comentários
mas veja bem
"e o que é que você vê", indaga-me numa manhã de sol - segunda-feira pura - ", quando em minha raiva eu lhe assusto?"
e na hora era tanto sol e tanta gente e tanta segunda-feira nos meus olhos que por um instante não atinei neste medo do qual ouvia falar com tanto arrependimento e dúvida -"qu'éisso, meu amor, do que é que fala você?"; - mas seus olhos suaves não me conseguiram esconder as mãos crispadas, de modo que cortinei todo o sol e brilho para me tentar lembrar.
- não sei bem, meu querido, mas veja bem: há aquela raiva comum, que infla mas não nega, grita disparates e logo passa. - mas - há esta outra, a que me assusta: é por que some a ternura que por mim há em você, e de uma criança inofensiva deitada em meus braços surge uma figura não de todo má, mas ameaçadora e sem controle, capaz de dominar com os olhos, meu bem, você fica tão grande e tão longe que acho que não me enxerga mais - é. - acho que é mesmo um medo de lhe sumir da lembrança....
Postado por litchi às 05:47 0 comentários
sexta-feira, 16 de julho de 2010
fundo de gaveta
-"não é tristeza não, meu amor, é só melancolia... como o que acomete quando ouvimos uma música bonita e triste; - sentir mais as coisas contra si.... é, é isso...."
Postado por litchi às 12:59 0 comentários
quinta-feira, 15 de julho de 2010
segunda-feira, 17 de maio de 2010
curioso
como sempre qe eu me desespero meus pensamentos voltam para uma outra vida
- eu o vi, ontem
- e o que que aconteceu?
- nada
- então por que você tá me contando isso?
- não sei. foi estranho.
- por que?
- uma outra vida, passando por mim na multidão sem me perceber
Postado por litchi às 19:26 0 comentários
sobre rímel borrado
eu não consigo deixar de achar melancolicamente bonita essa estética deselegante de um coração quebrado.
(derrepente me lembrei de mim, mal largada atrás de uma pilastra (achando estar escondida), tremendo um cigarro inteiro e engolindo o choro até que chega você e o arranca fora)
Postado por litchi às 19:23 1 comentários
er(r)os
(eu ia falar era de outra coisa, mas é incrível como o suprimir de apenas um caractere transforma todos os erros em amor)
Postado por litchi às 19:16 0 comentários
pareceria bonito
pareceria bonito morrer de amor - mas não é
como sobreveviria eu?
Postado por litchi às 19:12 3 comentários
AS VEZES EU NÃO ME AGUENTO
será que é pedir demais um entender-me um acolher-me um porto seguro em teus olhos tristes? - tuas falhas hoje me parecem imperdoáveis - e ainda assim per-dôo
- if you love me, why don't you let me love you?
- BECAUSE IT HURTS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Postado por litchi às 19:09 0 comentários
dualidade
fazer como sempre fiz ou egoisar-me?
buscar o sabor de fruta mordida no miolo já meio amarelado da maçã....
que burrice
Postado por litchi às 19:06 0 comentários
domingo, 9 de maio de 2010
os olhos tristes
só me faça o favor de não deixar-me ver-te triste - pois é de cortar o coração esses olhos grandes e amendoados me olhando e tão profundos de uma tristeza mais antiga do que eu emoldurados por como se fosse uma auréola de um tipo outro de tristeza que é inerente a mim,
(logo eu que já me acostumei com a sua raiva tão precisa e avassaladora;)
(-é como se fosse um rojão que logo brilha e acaba.)
e é assim que assusta-me a delicadeza.
Postado por litchi às 18:03 0 comentários
sábado, 8 de maio de 2010
segunda-feira, 3 de maio de 2010
de ser e estar
uma manhã qualquer, descendo a rua de minha casa - era um sol frio e aconchegante. e um pensamento repentino me assalta: "hoje, estou plena"
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quinta-feira, 29 de abril de 2010
é que as vezes eu não sei
era fim de tarde (ou começo de noite?) de um maio aguado; era frio. e - era o sorriso sincero estampado em sua cara se evanescendo lentamente, ao me ouvir dizer: "é que as vezes, eu não sei".
Postado por litchi às 17:22 2 comentários
segunda-feira, 26 de abril de 2010
fragmento
"-claro, querida, claro. mas este provavelmente vai ser o seu último amor adolescente;...."
Postado por litchi às 18:14 0 comentários
Marcadores: final
domingo, 25 de abril de 2010
denovo, e sempre
acho que pouca coisa no mundo me é de fato tão cara quanto o sol com gosto de fimdetarde que espalhou-se por cima de mim derrepente; - "como é bom não fazer nada, não?" - e era tão tarde e tão laranja e quente e amorfo (mas de um jeito bom), que quando menos percebi aconcheguei-me num abraço (aquele) e contentei-me em observar os desenhos das nuvens por horas e horas, e horas ainda; "sabe baby, hoje a gente pode se dar o luxo de não ser objetivo", é.
Postado por litchi às 14:42 0 comentários
Marcadores: tarde laranja quente
