é de um medo danado, o meu não querer.
(me acostumei a tê-lo por certeza e, subitamente, aquele amor todo? era mentira.
não mentira no passado, no presente. é mentira o meu atual bem-lhe-querer)
sinto-me então caindo num vazio explícito. - de saudades dos olhos inquisitores, que me lembravam de uma forma errônea.
(misturo-me em fá maior)
é preciso me redefinir, reconstruir, e, finalmente, ser. só.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
sobre ser. só.
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
nota curta
calor, calor,calor: essa aridez do pensar...
hoje, quero ser-me mais.
Postado por litchi às 12:17 0 comentários
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
i don't feel like...
o amanhecer me consumiu - como um peixinho no aquário
glub, glub.
(vou afundando devagar, perdendo-me no vazio que fiz formar. o ao contrário, então, passa a não parecer tão agradável)
agarro-me a fiapos evanescentes, e indago:
de que me adianta ter um vocabulário intenso, se não tenho nada a dizer?
Postado por litchi às 14:08 0 comentários
da força de um lembrar
olho tua polaroide e não resisto - beijo-a.
nessas horas, eu queria ser personagem; para que o meu beijo desencadeasse um (infindável) flashback.
dia chuvoso: fresco, leve, feliz. dia de espetáculo. apresentação única, nada pronto, coisas sumindo, figurinos rasgados, humores alterados, egos inflados e eu enlouquecendo aos pouquinhos
foi quando você me apareceu no faz-de-conta de camarim, vestindo um casaco verde e vertendo um sorriso agridoce.
"-boa sorte, antoninha. estou na terceira fila, lá para a esquerda. não olha para mim, ou vou te fazer rir."
(éramos de uma plenitude incrível)
pouco depois eu já não era eu; era artista, marionete, boneca-de-corda; era algo alémdemim, tão forte e profundo que me deixa lembrar apenas de breu.
acontece que, de um modo tardio, aprendi a gostar de morrer um pouquinho - deixar de ser-me, por uns minutinhos, e depois voltar.
Postado por litchi às 13:53 0 comentários
parto forçado
pela acidez das (minhas)(tuas) palavras,
lhe saudo.
( sinto as idéias escapando-me, desfiando como cetim.
desejo escapar-me; como uma folha seca na correnteza daquele um rio de águas claras com qual eu sonhei acordada outro dia, quando não conseguia dormir pensando que se você for olhar bem, numerais nunca são o suficiente.)
Postado por litchi às 13:47 0 comentários
domingo, 1 de fevereiro de 2009
O vôo perfeito dos desválidos
O grito de "alcance-me" tão implícito no teu ir embora nunca me pareceu tão efêmero quando naquele momento fadítico em cima da torre perdida nas brumas augustinas das seis da manhã que embrulhavam em um esquecimento frio todos os passantes apressados e atrasados que seguem para os trabalhos em ônibus lotados querendo apenas um pouquinho de tempo para conseguirem prolongar o sono perfeito dos desvalidos - como as pombas brancas que tagarelavam acima de nós, abafando tua voz numa tentativa frustrada de não me deixar entender o que eu bem sabia no reconhecer da melodia que suas mãos traçam quando tens algo complicado a falar, ou quando está calor demais e seus sentidos ficam atacados de maresia e saudade indefinida daquela época de calmaria na casinha de janelas verdes que alugávamos perto daquele rio de pedras escorregadias e traiçoeiras, que se escondiam atrás do canto vulgar da água limpa correndo e eu corria junto e você corria de mim, de medo de se deixar alcançar e desejar sucumbir ao que eu sempre lhe prometi: um dia você irá se apaixonar por mim, e vai querer que eu lhe acorde no meio da noite para dizer que tenho medo, medo do sonho aonde eu fico surda e não mais respondo ao seu assobio, assobio tão leve e benígno que desde o começo me chamou atenção, naquela pracinha bonita de nome Bezerra Aldeão, cheia de sorveteiros aclamando ter conseguido sintetizar em um congelado o cheiro de começar um ano todinho novo ao lado de um rapaz sentado em um montículo de grama fumando cigarros de palha com a desenvoltura de quem nunca mesmo fez outra coisa na vida a não ser enrolar cigarros de palha e fumá-los com o canto da boca enquanto bate o pé na grama amarronzada do começo de maio, mas que no final de setembro foi verdes como as janelas e as pedras e a jaqueta que eu comprei um dia antes de subirmos naquela torre, por que achei que você poderia gostar do modo como estávam dispostos os botões, assimetricamente, combinando com a tua idéia maluca de mudar o mundo assim que conseguisse dinheiro o suficiente para comprar uma motocicleta e imitar o Che Guevara, não o de verdade, mas sim o do filme, o filme que vimos juntos quando estreou naquela sala reformada na Av. Paulista pouco antes de sairmos para tomarmos o sorvete mais caro de nossas vidas; mas ele tinha gosto do sucesso que eu senti naquela mesma noite, quando ouvi-lhe o ressonar tranquilo dos que não sabem serem vigiados pelos insones de olhos vermelhos e lábios ressecados, os insones com ouvidos marcados pelo tic tac invisível de coisas que aprendem a tictaquear apenas depois que a lua nasce, iluminando com uma luz macia as tuas mãos agarradas uma na outra, como de um bebê dentro do útero da mãe que um dia eu irei ser, uma mãe espivetada que viajou o mundo todo e coleciona dedais de porcelana em uma estante que de tão recheada de cacarecos é impossível de se limpar, por que todos tem medo de que o simples encostar transforme em líquidas todas aquelas lembranças de todos os tempos do mundo - sólidas
Postado por litchi às 18:14 0 comentários
3x4
o empate certeiro de nossas vidas em um momento nunca imaginado: o final maluco de uma história sem fim...
( o fato é que até o mais sublime dos amores um dia acaba)
uma coisa maluca, incerta, sem-fim:
o teu olhar continua me achando, por entre os rabiscos desconexos que eu lhe inflingi.
o ato secreto de te amar virou domínio público.
sinto-me exposta, então. nua.
(como há muito tempo não me sentia)
quero-te de um modo há muito tempo esquecido. quero-lhe com todo o meu corto e coração; com a intensidade do proibído.
quero-lhe infinito - e mais um.
(de modo que a minha carência é impossível de ser cumprida. não importa quanto querias, ou tentava)
- amo-lhe tanto que até desisti de fazer poesia.
seu olhar me incrimina.
minto ser forte,
e você continua impávido, sob sua blusa azul.
queria, por um instante, ser feita de isopor - para me desfazer ao mais simples toque.
como um dente-de-leão.
como o eu-e-você - como o arrepio-bom que você me causava.
(hoje, sou feita de tédio)
Postado por litchi às 18:03 0 comentários
