só sei que és lindo
sem tirar nem por
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
sábado, 7 de novembro de 2009
finalzinho
(tudo se fragmentava em sombras inertes; cinco, quase seis da tarde, no horário de primavera - tudo lindo, laranja, brilhante)
era tarde quente e abafada, no vão entre nós e o mundo-real.
espelhamo-nos na simetria - sem querer (acho)
e sem medo.
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009
da importunância que é amar-lo e ser-lhe amada desse modo desmesurado que me é peculiar.
outro dia estava eu a procurar algo que descrevesse com exatidão esse estado de espírito, e chegou-me esta palavra: desmesura,
desmesurado
des-mesurado, de desmedir
despedir, desapegar; desamar, desarmar, derramar toda a minha ternura n'um abraço longo e formigante.
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009
melodramas
costumava chamar-me de melodramática.
"melo-dra-má-tica", cuspia, com a boca tensa da madrugada, criando vácuos cada vez mais extensos no meu bem querer-lhe.
as vezes também só dizia no substantivo: melodrama. palavra esquisita - parece melodia; e melodia parece a melancolia de acordar num domingo chuvoso e descobrir que você foi embora, antes mesmo de tomar um gole de café preto amanhecido.
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domingo, 13 de setembro de 2009
estação da luz
então, o meu amor lhe comove...
bom.
[acabamos por afastar aquela explosão epifânica que nos(nós) prevíamos, e enfrentamos sem medo os domingos azuis no centro da cidade, munidos de sorvete, cigarros, água de coco e consonoridades que pareceriam ensaiadas, se não fossem tão impulsivas. - tornamo-nos, sem querer, uma contradição complementar]
(é esse teu olhar-me que tanto me instiga)
(é essa passionalidade que me domina)
(é essa inexplicação toda, que acaba por criar uma [i]lógica muito coesa dentro da minha cabeça - inexprimível, mas compreensível)
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
incoerência
não quero dizer
não vou dizer
só vou ficar aqui quietinha, no relembrar-me(nos) - (é incrível como me sinto vulnerável)
it' all about you, it's all about you
- é. não sei, só sei que foi assim. denovo; mas único.
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quarta-feira, 1 de julho de 2009
motivos
"e se eu sorrio ao dormir, é por que há a me observar alguém a quem eu quero bem"
(havia na luz amarela da madrugada suburbana algo que ultrapassava a banalidade de uma terça feira regada a cervejas; ela sabia.)
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sábado, 30 de maio de 2009
é foda.
dos tiques
e do taque - do tique taque contante.
(argh)
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
dia de sol
e era dia-de-sol, com nós-dois juntos deitados de uma vez só, com muito samba e queijo quente. era sexta-feira; meio dia e pouco, pouco amor para dar - era a época do dois-em-um, época de eu ser de você, com você e para você, sem ser você para mim; e eu era infeliz. era seu silêncio e o meu olhar, que nunca se cruzavam a não ser para serem negativamente, dizendo intuitivamente o que nós não nos deixávamos pensar. e havia um brilho-nos-meus-olhos que ardiam, querendo solidificar como grafite, como cal. eu deixei.
e então já era quase fim de tarde, e eu já não era mais nada.
sábado, 9 de maio de 2009
ampulheta
- foi o modo como ela lambe os dedos após comer suco em pó - disse ele, após uma longa pausa.
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quarta-feira, 29 de abril de 2009
a interioridade incerta de uma mente sã
a capacidade louca de um corpo que cai, sem se preucupar por nem um momento com a cidade caótica que lá embaixo pulsa, pulsa, como um tambor curto e forte, como um dia eu senti-me pulsar ao encontrar por acaso um rapaz novo e bonito saindo de um elevador que elevar-me-ia até um apartamento bonitinho e aconchegante aonde passamos diversas noites jogando poker valendo feijão e comendo esfirras de chocolate ao leite produzido em Campos de Jordão, naquela fabriqueta charmosa bem no sopé da montanha desmatada, nua como um coração apaixonado que entrega-se ao abismo com a certeza de que não sabe voar, mas ilude-se, pois o som do vento nos ouvidos parece uma música límpida e antiga; uma compilação de todos os assobios que
(e paro por aqui, por que achei sem data e sem memória; então, não quero meter-me a acabar algo que eu não sei por onde ia)
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quinta-feira, 23 de abril de 2009
só um recado
de mim para mim mesma: delírio, meu, delírio.
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terça-feira, 14 de abril de 2009
(retrato)
"Ela tinha uns olhos loucos, como de um animal feitos somente para olhar o mundo, uns olhos verdes, castanhos, grandes e com um brilho indescritível. Seu riso era único, histérico, teatral, até mesmo falso, mas não era alto nem estridente. Mas era quando apenas sorria que ficava linda. Ela gostava de falar, de viver, desejosa de experimentar tudo que parecesse ser bom, era elétrica."
- eu, por ele. (retrato)
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
sobre setes, quatros e três.
feliz o-que-teriamos-sido para você.
(e seriamos, com certeza, uma coisa bonita
- mas pretérito é, por definição, imperfeito; assim, creio estar no brilho triste dos que muito amaram o âmago desta minha inquietude.)
"não lhe tenho amor nenhum - tenho memórias
elas, amam"
e assim, sigo calada, certeira apenas de uma infalibilidade única: para tudo que começa, há um horizonte.
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sábado, 28 de março de 2009
ponderações
faz-se, então, a falta: tua ternura encandecida.
(queria falar sem dizer)
mas sigo firme, e continuo não chorando por estranhos.
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sexta-feira, 20 de março de 2009
transmission
ouço baixinho uma voz de timbre surdo que ressoa impunemente por-entre todos os musculos e fibras do meu corpo, como se este fosse feito de isopor.
(é de um vibrar numa sintonia tão diferente que sinto-me quase como em um filme de van sant)
tento manter-me alheia, mas... é foda.
mergulho sem nem inspirar.
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पोर ser
por ser meia-noite tão implícito, digo: ouço no tictac assonante uma polifonia oscilante de um certo descuido causado por uma (in)feliz conhecidência e, sendo assim, mantenho-me insone.
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quinta-feira, 12 de março de 2009
para não perder o costume.
norteando o meu vago bem-querer, estava-(ia ser estávamos, mas não: hoje sou uma.)eu incerta junto do medo profundo de me jogar no abismo: (vertigem).
havia, admito, uma certa covardia diante da possibilidade de cristalizar o sentimento que criei de brincadeira; - como se cria um universo - e que estava se metamorfoseando em buraco negro.
foi por isso que não me arrisquei a rabiscar, estes dias: me peguei prendendo-me a particularidades.
o fato é que teu sorriso me é muito caro, e contagia - como cheiro-de-madrugada, que entra pela janela da sala e insere em nós o desejo louco de sentir os pés descalços no asfalto molhado e laranja da rua solitária.
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quarta-feira, 4 de março de 2009
interminado
Era meio-dia.
“Meio dia e quinze”, repetiria-lhe incessantemente Paulo. Mas, para ela, era meio-dia. Dava para sentir no sol baixinho, de raios bem firmes, e no calor escorregadio que lhe fugia entre os dedos.
“Era tão meio-dia”, retrucava sempre, “que a luz tinha gosto de arroz com feijão”.
Ela era Maria. Estava se fazendo de lagartixa, ou de gata, deixando que o tão dito sol de meio dia lhe lambesse as pernas. Fingia estar distraída, mas se admirava em mente; se julgava parte de uma cena bonita, como de um filme. Tinha a pele morena-desbotada e um ar sapeca, como a menina-moça que era, transformando sua deselegância inata em parte do encanto.
Era uma pracinha bonita, de nome Bezerra Aldeão.
Pedro chegou de supetão, e perguntou-lhe: sabe me dizer aonde fica a Rua Marechal Teodoro?
Por ter sido pega no meio de seu ritual voyeurístico e pessoal, Maria se julgou violentada. “Não sei de nada. Não sou daqui”, resmungou baixinho. E Pedro, encantado com a arisqueza daquela morena, se deixou ficar.
Dois anos dalí, casaram-se.
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domingo, 22 de fevereiro de 2009
descoberta

era tarde macia e sonolenta, transmutada em eternidade pelo brilho cego do meu lembrar. eu andava arrastando os chinelos feito quem não quer nada, e despetalava flores a meu bel-prazer. já nem fazia malmequer, pois sabia a resposta: estávamos em outubro, e eu vagava sozinha.
não que estivesse triste; era algo mais sublime que isso. o que acontecia é que eu nunca havia visto um dia mais propício à melancolia, e a ela entreguei-me de braços abertos - como uma andorinha pega em pleno vôo. havia algo no modo abafado de meus pés repercutirem no asfanto incandescente que dizia baixinho: vem, escute-me, que logo alguma coisa vai acontecer; mas, enquanto não acontecia, eu me limitava a sorrir calada, e a mirar o fim da rua como um objetivo indestrutível, de tão peculiar.
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
o brilho surdo dos que muito amaram
o ar cheirava a saudades, na hora incerta do lusco fusco. pouco a pouco, o mundo desbotava do vermelho para o cinza e para o azul, como se alguém tivesse acelerado o globo para apresentar todas as estações do ano em um só dia.
me é alheio o nome da que, sentada à beira da água, cantarolava baixinho. o importante é que ela desafinava lindo enquanto marcava o rítimo com os pés, quebrando o espelho-d'agua sem superstição alguma. eu também não saberia definir a canção (hoje estou predisposta ao anonimato), mas a melodia emanava o brilho surdo dos que muito amaram. - como um samba antigo e triste.
a mulher (para quem eu deliberadamente não dei um nome, a fim de não contaminar com personalidade o sentimento) destilava rancor, mas com tal indulgência que, na balança final, tornou-se em jóia rara, pois a intenção inicial do passeio -"arejar a cabeça" (como se o ar fosse oniciente e nos soprasse a resposta de tudo no ouvido) - fora relevada à segundo plano, frente à sonoridade triste da areia esfriando. acontece que, as exatas seis horas e cinquenta e três minutos do dia sete de abril, eu decidi-me por matar a minha personagem sem nome, por medo de que ela se transformasse em mim. e assim o fiz: usando ciatureto, que é o veneno dos poetas - e dos loucos.
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sábado, 14 de fevereiro de 2009
exercíकियो: ओ brilho
o brilho incerto do teu olhar
o brilho translúcido do meu olhar-te
o brilho ausente do nosso lembrar
o brilho capaz da tua ausência
o brilho cego do meu lembrar
o brilho surdo dos que amaram
o brilho oculto no teu vagar
o brilho fagueiro do qual eu gostei
o brilho solúvel em que me afoguei
o brilho delicado do teu pesar
(o brilho sonoro que imprimistes na paisagem)
- o brilho eterno que eu serei.
(12 universos por nascer)
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domingo, 8 de fevereiro de 2009
5 minutos de silêncio
"o silêncio," interrompeu ela, "o silêncio é a desculpa de quem mente.
só então pode-se perceber o tiquetaquear infernal das coisas que só aprendem a tiquetaquear depois da meia noite. ela deixou-as tiquetaqueando por quase um minuto, até que continuou.
"você fala demais. fala tanto que eu mal me posso ouvir respirar, mal posso ouvir o meu coração bater. é, foi isso: a falta de silêncio não me deixa ouvir, e então eu não percebi quando ele parou de fazer maracatu por você chegar. e você fala alto - como se fosse italiano. mas", ela respirou fundo, "você é turco. TÃO turco no pensar, mas não napolitano no gesticular! por isso eu nunca consegui te decifrar. você gosta disso, não? de se fazer de esfinge. eu só nunca vi esfinge faladeira antes; mas você consegue, AH!, se consegue. ou conseguia: no passado. por que eu estou de SA-CO-CHEI-O do seu tatibitatear constante, que não me deixa dialogar. é. cansei de ser a figurante de teu monólogo. cansei, cansei, canseicanseicanseicanseicansei! vou me mudar para veneza, ou para o cairo. o egito é barulhento, mas não é o TEU barulho, é o MEU, é o vento, são as cores das roupas das pessoas, é o calor da areia que sobe e... VOCÊ ESTÁ ME OUVINDO?"
"sim, claro", murmurou-lhe o homem em resposta. "só me diga: aonde entra o silêncio como desculpa, nessa história toda?"
"o silêncio, meu querido", sorriu-lhe ela, "o silêncio fui eu."
(e fez-se o peso - como nunca antes haviam-no sentido. um peso de culpa, contrapondo-se friamente à leveza da ausência costumeira.
[a realidade é um baque forte])
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sábado, 7 de fevereiro de 2009
sobre ser. só.
é de um medo danado, o meu não querer.
(me acostumei a tê-lo por certeza e, subitamente, aquele amor todo? era mentira.
não mentira no passado, no presente. é mentira o meu atual bem-lhe-querer)
sinto-me então caindo num vazio explícito. - de saudades dos olhos inquisitores, que me lembravam de uma forma errônea.
(misturo-me em fá maior)
é preciso me redefinir, reconstruir, e, finalmente, ser. só.
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
nota curta
calor, calor,calor: essa aridez do pensar...
hoje, quero ser-me mais.
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
i don't feel like...
o amanhecer me consumiu - como um peixinho no aquário
glub, glub.
(vou afundando devagar, perdendo-me no vazio que fiz formar. o ao contrário, então, passa a não parecer tão agradável)
agarro-me a fiapos evanescentes, e indago:
de que me adianta ter um vocabulário intenso, se não tenho nada a dizer?
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da força de um lembrar
olho tua polaroide e não resisto - beijo-a.
nessas horas, eu queria ser personagem; para que o meu beijo desencadeasse um (infindável) flashback.
dia chuvoso: fresco, leve, feliz. dia de espetáculo. apresentação única, nada pronto, coisas sumindo, figurinos rasgados, humores alterados, egos inflados e eu enlouquecendo aos pouquinhos
foi quando você me apareceu no faz-de-conta de camarim, vestindo um casaco verde e vertendo um sorriso agridoce.
"-boa sorte, antoninha. estou na terceira fila, lá para a esquerda. não olha para mim, ou vou te fazer rir."
(éramos de uma plenitude incrível)
pouco depois eu já não era eu; era artista, marionete, boneca-de-corda; era algo alémdemim, tão forte e profundo que me deixa lembrar apenas de breu.
acontece que, de um modo tardio, aprendi a gostar de morrer um pouquinho - deixar de ser-me, por uns minutinhos, e depois voltar.
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parto forçado
pela acidez das (minhas)(tuas) palavras,
lhe saudo.
( sinto as idéias escapando-me, desfiando como cetim.
desejo escapar-me; como uma folha seca na correnteza daquele um rio de águas claras com qual eu sonhei acordada outro dia, quando não conseguia dormir pensando que se você for olhar bem, numerais nunca são o suficiente.)
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domingo, 1 de fevereiro de 2009
O vôo perfeito dos desválidos
O grito de "alcance-me" tão implícito no teu ir embora nunca me pareceu tão efêmero quando naquele momento fadítico em cima da torre perdida nas brumas augustinas das seis da manhã que embrulhavam em um esquecimento frio todos os passantes apressados e atrasados que seguem para os trabalhos em ônibus lotados querendo apenas um pouquinho de tempo para conseguirem prolongar o sono perfeito dos desvalidos - como as pombas brancas que tagarelavam acima de nós, abafando tua voz numa tentativa frustrada de não me deixar entender o que eu bem sabia no reconhecer da melodia que suas mãos traçam quando tens algo complicado a falar, ou quando está calor demais e seus sentidos ficam atacados de maresia e saudade indefinida daquela época de calmaria na casinha de janelas verdes que alugávamos perto daquele rio de pedras escorregadias e traiçoeiras, que se escondiam atrás do canto vulgar da água limpa correndo e eu corria junto e você corria de mim, de medo de se deixar alcançar e desejar sucumbir ao que eu sempre lhe prometi: um dia você irá se apaixonar por mim, e vai querer que eu lhe acorde no meio da noite para dizer que tenho medo, medo do sonho aonde eu fico surda e não mais respondo ao seu assobio, assobio tão leve e benígno que desde o começo me chamou atenção, naquela pracinha bonita de nome Bezerra Aldeão, cheia de sorveteiros aclamando ter conseguido sintetizar em um congelado o cheiro de começar um ano todinho novo ao lado de um rapaz sentado em um montículo de grama fumando cigarros de palha com a desenvoltura de quem nunca mesmo fez outra coisa na vida a não ser enrolar cigarros de palha e fumá-los com o canto da boca enquanto bate o pé na grama amarronzada do começo de maio, mas que no final de setembro foi verdes como as janelas e as pedras e a jaqueta que eu comprei um dia antes de subirmos naquela torre, por que achei que você poderia gostar do modo como estávam dispostos os botões, assimetricamente, combinando com a tua idéia maluca de mudar o mundo assim que conseguisse dinheiro o suficiente para comprar uma motocicleta e imitar o Che Guevara, não o de verdade, mas sim o do filme, o filme que vimos juntos quando estreou naquela sala reformada na Av. Paulista pouco antes de sairmos para tomarmos o sorvete mais caro de nossas vidas; mas ele tinha gosto do sucesso que eu senti naquela mesma noite, quando ouvi-lhe o ressonar tranquilo dos que não sabem serem vigiados pelos insones de olhos vermelhos e lábios ressecados, os insones com ouvidos marcados pelo tic tac invisível de coisas que aprendem a tictaquear apenas depois que a lua nasce, iluminando com uma luz macia as tuas mãos agarradas uma na outra, como de um bebê dentro do útero da mãe que um dia eu irei ser, uma mãe espivetada que viajou o mundo todo e coleciona dedais de porcelana em uma estante que de tão recheada de cacarecos é impossível de se limpar, por que todos tem medo de que o simples encostar transforme em líquidas todas aquelas lembranças de todos os tempos do mundo - sólidas
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3x4
o empate certeiro de nossas vidas em um momento nunca imaginado: o final maluco de uma história sem fim...
( o fato é que até o mais sublime dos amores um dia acaba)
uma coisa maluca, incerta, sem-fim:
o teu olhar continua me achando, por entre os rabiscos desconexos que eu lhe inflingi.
o ato secreto de te amar virou domínio público.
sinto-me exposta, então. nua.
(como há muito tempo não me sentia)
quero-te de um modo há muito tempo esquecido. quero-lhe com todo o meu corto e coração; com a intensidade do proibído.
quero-lhe infinito - e mais um.
(de modo que a minha carência é impossível de ser cumprida. não importa quanto querias, ou tentava)
- amo-lhe tanto que até desisti de fazer poesia.
seu olhar me incrimina.
minto ser forte,
e você continua impávido, sob sua blusa azul.
queria, por um instante, ser feita de isopor - para me desfazer ao mais simples toque.
como um dente-de-leão.
como o eu-e-você - como o arrepio-bom que você me causava.
(hoje, sou feita de tédio)
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sábado, 24 de janeiro de 2009
anão vestido de palhaço e outras histórias
"Gato de Mato Grosso do Sul recebeu R$ 20 do Bolsa Família"
"Um gato de estimação fez parte, durante cinco meses, da lista de beneficiários do Bolsa Família em Antônio João, um dos municípios mais pobres de Mato Grosso do Sul. O animal, chamado Billy, foi inscrito com nome, sobrenome e data de nascimento por seu dono, coordenador local do programa do governo.Billy tinha número de identificação social, cartão magnético e vinha recebendo R$ 20 mensais do governo federal como complementação de renda.
A fraude foi descoberta durante a visita de um agente de saúde à casa do suposto beneficiário, em novembro passado.
Recebido pela mulher do coordenador, o agente quis saber por qual motivo a criança Billy Flores da Rosa não havia sido levada para fazer a medição e a pesagem, exigidas para os cadastrados no programa.
A mulher estranhou a pergunta: "Mas o único Billy aqui é o meu gatinho". O agente relatou o diálogo à prefeitura, que abriu sindicância."
fonte: folha de são paulo
Só digo que: viver é mesmo uma palhaçada.
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
afinal... para quê?
hoje me sinto desocupada, depois de acordar e limpar os amendoins que ontem foram jogados a torto e a direito.
mas sinto-me limpa, feliz: estou tão viva quanto poderia estar.
vou fazer trabalho voluntário esse ano.... já entrei em contato com duas instituições, falta só a resposta.
hoje é um daqueles dias em que viver não dá taaanto trabalho assim....
Postado por litchi às 14:46 0 comentários
